in_ Diferença

in_ Diferença
( PARA OS DIRIGENTES DE NOSSO BRASIL)
conheces a trilha do inferno,onde o poema desliza morto e
a palavra desfalece nos ventos avessos do medo?
conheces a morbidez das águas que leva o menino anônimo
filho da saga (praga?) dos alagados, velado no barro?
conheces os escarlates da febre nascida da lama, que arde
e sangra no corpo frio : - desesperada chama?
eles sim:- conhecem dos ácidos frutos
eles sim:- tomam no cálice do engano
conheces esse soco no estômago?
Amina Ruthar
Dezembro/2006
Quarta-feira, Novembro 22, 2006
Domingo, Novembro 05, 2006
Domingo, Outubro 29, 2006
Segunda-feira, Outubro 23, 2006
Terça-feira, Março 14, 2006
Domingo, Março 05, 2006
Antropofagia

Antropofagia
flexível como haste do salgueiro que tange,ela vibra
em suas mãos sabores vermelhos e danças da noite
atiçam todas as labaredas de sua fome que passeia
e desliza entre vertigens e fé pelo sacrário da carne
escoam todos os seus afluentes " na hora do desejo"
chama que arde na pele do vento, do tempo, na sua
da boca farta de inventos doçuras e iras,ela grita
avessos,ausências e espinhos que ferem a seda ,nua
cavalga o amor até prover pleno esquecimento de si
liquida persegue o gozo como quem persegue tulipas
embriagada e interdita,bebe do vinho,come da carne :
- fêmea, santifica-se !
Amina Ruthar
Novembro-2006
a hora do ângelus

"e o que resta é este rastro
este pó erguido..."'(Xavier Zarco)
enquanto dobram os sinos ...
o templo ressona morno
sob as ladainhas das aves
em piruetas na sobretarde
no seu sacrário a paz dos Absolutos
e o seu pão de cada dia abrigado
na dispensa sacra- ventre lacrado
enquanto dobram os sinos...
escorrem no degraus bentos
esqueletos humanos de olhares apodrecidos
o peito da mulher se esgarça em sequidão
na boca moribunda e agoniada do menino
deus alça os céus no vôo das balas
cortando nuvens entre o vidigal e a rocinha
'"e o que resta é este rastro
este pó erguido..." da minha fé exígua
verbo descarnado

A lágrima
sem vigília inunda a palavra
que se desgarra em sangue e sal
sobre a terra seca
e aduba
a verdade por baixo dos tapetes
os pecados submersos nas paredes
o leito onde repousam mentiras sujas
sob sedas e contas de aves marias inúteis
A lágrima
sem vigília inunda o verbo
descarnado em meu canto rocha
e aduba
a alma roxa
o peito rubro
a cova rasa
sob o rosário de mortes escandalosas
A lágrima sem vigília inunda os dias
onde se perde a justeza da coisas
Meu verso é rude :
-engasga!
Amina Ruthar
Retorno
_ talvez ...porque junho _

_ talvez ...porque junho _
( de minha amiga Ana Merij, poeta que estimo)
a vida que te diluiu em mim
aqui está
no tanger de moinhos
no alecrim por campos
a semear-se sozinho
no vôo de andorinhas
a tecer ninhos
enquanto em saudação a manhã
da paineira
o tronco se abre em nova cor
no lamento absoluto das gaivotas
a vida que te diluiu em mim
aqui está
eco de memória
como escuro murmúrio do mar
entre seixos e abrolhos
talvez porque junho
tens lírios findos à tua volta
e confinas um réquiem nos olhos
_ notícias da casa paterna _

vozes escorrem pelas artérias da casa
súplicas das almas de sonhos, outrora nossos:
-a memória está lá, em pele e ossos
a vista nua, não verás passos de infâncias
a farfalhar alegrias nas retinas dos corredores:
- mas estão lá, gravados nas veias das manhãs
em letra rubra no pergaminho das horas
o solo de nossa história é lágrima nos objetos calados
luto perpétuo por todo azul escrito um dia
no musgo do tempo notícias de ser feliz não há:
_ nem de deus!
Amina Ruthar






