
Um homem catava pregos no chão.
Sempre os encontrava deitados de comprido,
ou de lado,ou de joelhos no chão.
Nunca de ponta.
Assim eles não furam mais - o homem pensava.
Eles não exercem mais a função de pregar.
São patrimônios inúteis da humanidade.
Ganharam o privilégio do abandono.
O homem passava o dia inteiro nessa função de catar pregos enferrujados.
Acho que essa tarefa lhe dava algum estado.
Estado de pessoas que se enfeitam a trapos.
Catar coisas inúteis garante a soberania do Ser.
Garante a soberania de Ser mais do que Ter.
Manoel de Barros
Tratado geral das grandezas do ínfimo, Editora Record - 2001, pág. 43.
2 Comentários:
eu A D O R O o manoel de barros, amina!
um grande beijo e feliz natal!
Oi Li:
Eu também. Acho que como poucos , Manoel de Barros conseguiu atingir a mimosidade de tal forma, que passou de ser gente: virou singelezas , simplesmente.
Bom dia, Moça e bom Domingo -Natal.
Beijos e carinhos.
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